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“A educação é uma das principais ferramentas na luta pela preservação”

  • Foto do escritor: Equipe Agregae
    Equipe Agregae
  • 6 de mai. de 2025
  • 4 min de leitura

Por Mariane Farias


Giovanna Rocha conta sobre seu trabalho no orquidário de Santos, e como a educação e a experiência na natureza pode enriquecer o conhecimento das crianças.



Bióloga e educadora, Giovanna em atuação no Orquidário
Bióloga e educadora, Giovanna trabalha no Orquidário de Santos, que promove ações de educação ambiental. Foto: Divulgação

O orquidário de Santos tem investido em educação ambiental para crianças. O lugar tem sido um importante polo natural e abriga diversas espécies de plantas e animais, que ao todo reproduzem a Mata Atlântica. Este bioma que é predominante na Baixada Santista está em extinção, assim surge a necessidade de ter projetos relacionados ao tema.


Giovanna Rocha, bióloga e educadora, participa das ações feitas no parque. Para ela, a educação é uma grande aliada na preservação dos ecossistemas e estar com as crianças é trabalhar para conscientizar toda uma geração. Ela conta mais sobre a importância da educação ambiental e o trabalho que ela realiza no orquidário santista na entrevista a seguir.



Como funciona o seu trabalho na prática?


Trabalho em dois lugares: no Orquidário de Santos de manhã, na parte da educação ambiental e à tarde trabalho na escola Verde que te quero verde. No Orquidário a gente trabalha com educação ambiental para crianças,  jovens e adolescentes. Durante a semana fazemos visitas monitoradas para as escolas.


Elas agendam e a gente faz um passeio pelo parque todo, falando os principais pontos, sobre todos os animais, algumas plantas, depende muito do que a escola precisa. Aos finais de semana desenvolvemos atividades para o público visitante, que geralmente são crianças, e é sempre com algum material reciclável, falando sobre a conscientização. Sempre procuramos ver durante o mês, por exemplo: março, mês da água, abril, mês do sol.


Então a gente faz atividades voltadas para essas temáticas, geralmente é com objetivo ecológico. Também, em janeiro e julho tem os cursos de férias, que são para crianças de 6 até 15 anos. Essas crianças podem ficar uma semana lá. O curso tem vários temas e todo ano muda. Durante eles fazem atividades, essa visita monitorada, tudo voltado para a parte ecológica.


As pessoas que buscam saber mais sobre as plantas e animais, costumam ser de qual faixa etária?


Geralmente a busca é mais da parte infantil. Quem vai fazer as atividades lá no parque é alguém que tem filho, que está com um sobrinho, uma avó que está com um neto. A educação infantil é nosso público-alvo.


Você considera importante ter esse espaço disponível na cidade? Por quê?


Santos é uma cidade muito rica em ecossistemas. Tem desde restinga, praia, manguezais e tudo isso mostra que é muito rico para a biodiversidade, só que também é muito frágil. A importância desses lugares que trabalham a educação ambiental é porque ajuda as pessoas a entenderem também a preservar um pouco desse ecossistema. 


A cidade é turística, então tem muita movimentação e com isso as pessoas acabam gerando muito lixo ou a degradação de alguns habitats. Ter esses espaços educativos para conscientizar os moradores e os turistas ajuda a cuidar melhor do ambiente.


O engajamento da comunidade quando tem esses espaços é maior, porque vai passando de uma pessoa pra outra, então, por exemplo, uma criança que aprendeu uma coisa no curso de férias, ela leva pros pais, e esses pais, às vezes, levam pros avós, gera conhecimento pra vida mesmo.


Em relação aos pais das crianças. Você percebe que eles estão interessados em que os seus filhos saibam e gostem de assuntos ligados ao meio ambiente?


Acho que sobre os pais depende muito deles mesmos. Na maioria são pessoas de realidades diferentes. Então, tem pais que às vezes são um pouco mais atentos, que deixam o filho levar uma composteira para casa, que deixam o filho fazer o trabalho de canteiro vivo, que é onde as crianças podem ir mexer na terra, procurar minhoca e a gente fala sobre o solo.


Já tem pais que são mais não quero que se suje, não vamos levar isso porque a gente está passeando agora. O foco mesmo é nas crianças, porque é muito mais difícil a gente moldar uma pessoa adulta do que uma criança.


Em sua opinião, a educação pode ser aliada à preservação da fauna e flora? Como exatamente?

A educação é uma das principais ferramentas na luta pela preservação, quando a gente está falando de fauna e flora, nos referimos a diversas espécies de animais, de vegetais, isso compõe os ecossistemas e daí garante o equilíbrio do planeta.


É por meio da educação que a gente consegue despertar nas pessoas o conhecimento, o respeito, o senso de responsabilidade, principalmente em relação à biodiversidade. Então, a educação ambiental, seja em espaços formais, como escolas, ou espaços não formais, que é tipo parque, o orquidário, onde eu trabalho, centros culturais, ongs também, permitem com que as crianças, os jovens, os adultos, eles conheçam melhor as espécies principalmente ao seu redor.


Pelo menos lá no orquidário, tratamos mais da parte de Mata Atlântica, que é onde a gente vive e eles entendem as funções ecológicas dos impactos humanos que eles podem causar e conhecer leva o cuidado, porque ninguém protege o que não conhece.  


Além disso também a educação ela promove o senso crítico, que é o que a gente tenta trabalhar com as crianças, daí isso encoraja as pessoas a refletirem sobre os seus hábitos principalmente de consumo, descarte de resíduo, uso de recursos naturais e até mesmo de práticas políticas, e isso afeta diretamente os ambientes naturais.


Assim a gente forma cidadãos mais conscientes, engajados. Eles estão mais preparados para tomar atitudes sustentáveis. Um ponto essencial da educação ambiental são as conexões afetivas que a gente tem com a natureza. Ensina na prática o cuidado.


Agora pensando nos pais, você acha importante o incentivo deles? Que atitudes eles podem tomar para se conscientizar e também incentivar os filhos sobre a questão?


Pensando nos pais, eu acho que sair um pouco mais da caixinha, sair um pouco mais da tela, levar os filhos para lugares mais culturais, para parques. Acho que mexer na terra, cultivar, aprender, desperta isso na criança.


Você nunca vai despertar um interesse ecológico na criança, se você for para shopping, restaurante, só ficar em casa no computador e videogame. Ter um pouco mais de interação com a natureza, acho que falta também um pouco nos pais e na cidade também, ter mais lugares para com que as crianças possam interagir com a natureza. 



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