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"Entre o verde e o concreto: a missão pelo Meio Ambiente"

  • Foto do escritor: Equipe Agregae
    Equipe Agregae
  • 3 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Por Gabriel Vinholy


Falar sobre preservação ambiental no Brasil é falar sobre desafios, inovação e dedicação. Em meio a esse cenário, há várias vozes ativas na luta pela sustentabilidade, Uma delas pertencendo a um coordenador regional do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que esteve à frente da expansão do instituto para São Paulo, levando iniciativas transformadoras ao litoral paulista, com ênfase na cidade de Santos.


- Qual seu nome? Hamilton Santana.

 

- Sua ocupação? Coordenador regional do Instituto do Meio Ambiente (IMA). Atualmente atuo na expansão e implementação de projetos de sustentabilidade no estado de São Paulo, com foco especial em iniciativas comunitárias no litoral.


Em sua trajetória, ele já atuou ao lado de comunidades, escolas, pescadores e até escoteiros. Para ele, mobilizar pessoas é tão importante quanto aplicar políticas públicas.


Praia de Santos, local onde o entrevistado já trabalhou com mutirões de limpeza mensalmente
Praia de Santos

Nesta entrevista, veremos mais sobre os desafios da fiscalização ambiental, o impacto das mudanças climáticas, e o que motiva sua caminhada em defesa da natureza, com respostas objetivas, sinceras e cheias de propósito.



- Quais são os principais desafios enfrentados pelo IMA na proteção do meio ambiente atualmente?

Hoje, os maiores desafios são três: Desinformação, que ainda leva muita gente a achar que meio ambiente é só “árvore e bicho”, a falta de apoio político contínuo, já que projetos ambientais ainda são vistos como secundários por muitos gestores, e o mais preocupante: o avanço da especulação imobiliária em áreas sensíveis, especialmente no litoral.

 

Como o instituto fiscaliza atividades que podem causar impacto ambiental, como desmatamento e poluição?

Denúncias da população, que são fundamentais, olhos no território são essenciais. E claro, ações de campo com equipes técnicas, que vistoriam, aplicam multas, embargam obras e orientam os responsáveis. Mas não é só punição. A gente também educa e orienta, porque prevenção é sempre mais eficaz que correção.

 

Quais são as principais leis ambientais que o IMA ajuda a aplicar e fiscalizar? 

Principalmente são os três grandes marcos legais: A Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que define diretrizes gerais e instrumentos como o licenciamento ambiental, o Código Florestal - importantíssimo pra preservar áreas de vegetação nativa, especialmente as de preservação permanente e reservas legais. E a Lei de Crimes Ambientais, que dá base pra responsabilizar quem causa danos, seja pessoa física ou empresa.

 

De que forma a população pode colaborar com o trabalho do IMA para a preservação ambiental?

A população é parte fundamental da engrenagem - sem ela, nada anda.

Primeiro é denunciar irregularidades. Viu desmatamento, lançamento de esgoto, pesca ilegal? Avisa. O IMA tem canais pra isso. Depois consumir com consciência. O que você compra, usa e descarta afeta diretamente o meio ambiente. Participar de ações comunitárias, como mutirões de limpeza, educação ambiental nas escolas, hortas urbanas. E mais importante: ensinar pelo exemplo. Quando uma criança vê um adulto cuidando da natureza, ela aprende a fazer o mesmo sem precisar de cartilha.

 

Qual foi o caso mais grave de crimes ambientais que o IMA já enfrentou?

De cabeça consigo pensar em dois que acho igualmente graves: Teve um caso em Imbituba (SC), onde uma empresa clandestina estava despejando resíduos tóxicos direto em um manguezal. Afetou a fauna, contaminou o solo, foi um desastre. Outro que marcou muito foi o desmatamento em área de restinga em São Francisco do Sul, feito à noite, com tratores sem identificação. Totalmente planejado pra evitar fiscalização.


Praia de Imbituba, SC, onde Hamilton diz ter ocorrido o caso mais grave com que já lidou.
Praia de Imbituba em Santa Catarina

Como as mudanças climáticas estão afetando as ações e políticas do instituto?

Hoje, todo projeto passa por análise de risco climático. A gente avalia impacto de eventos extremos como enchentes, secas, elevação do nível do mar. Temos também planos de adaptação para municípios costeiros, especialmente em áreas como Santos, que já sente o aumento da maré e a erosão. E internamente, começamos a reformular políticas públicas com foco em resiliência ambiental, porque proteger ecossistemas agora também é proteger vidas humanas.

 

O que você diria para quem quer seguir carreira na área ambiental e trabalhar em órgãos como o IMA?

Diria o seguinte: venha com paixão, mas traga também resiliência. Trabalhar com meio ambiente é lutar por algo que nem sempre dá voto, nem sempre dá lucro, mas sempre dá sentido. Estude ecologia, direito ambiental, gestão pública, biologia, engenharia... tem muitos caminhos possíveis. Esteja disposto a botar o pé na lama e a cara nos processos. A gente tá tanto no mato quanto nas planilhas. E nunca esqueça: você não trabalha só com árvores ou animais - você trabalha com pessoas. É nelas que começa toda essa transformação.


 
 
 

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