Do jornalismo à política: novos olhares para a profissão
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- 5 de set. de 2023
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Atualizado: 6 de set. de 2023
Ex-alunos que vivenciam cargos políticos compartilham trajetórias e opiniões na comunicação
O jornalismo está presente nos mais diversos segmentos da atualidade e no cotidiano do ser humano todos os dias. Não é de hoje que o jornalista tem tomado outros espaços e usado do seu ser comunicativo para atuar em outras áreas de interesse. Na política, por exemplo, o profissional muitas vezes deixa de ser o que segue políticos, cobrindo as devidas pautas, para se candidatar a algum cargo, como foi com os ex-alunos da Universidade Santa Cecília - Unisanta, Audrey Kleys, Douglas Gonçalves e Nelson Alves Filho.

Audrey Kleys
A trajetória de Audrey Kleys em Santos é de muito sucesso. Formada em Jornalismo e Direito, atuou 16 anos na TV Tribuna, e por quatro anos esteve como secretária-adjunta de Educação. Em 2016, foi eleita vereadora e em 2020, reeleita. No dia 5 de maio, ela deixou o cargo de vereadora e assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Social da mesma cidade.
Douglas Gonçalves
Atualmente apresentador do programa Hora Geral, na Santa Cecília TV, o jornalista Douglas Gonçalves é também radialista, cerimonialista, publicitário e ex-vereador em Santos. Apesar de ter se formado em 2001, já trabalhava com comunicação desde 1986, o que fez a escolha de cursar Jornalismo ser natural. Para Douglas, tudo no cotidiano é política, escola, trabalho, clube e, inclusive, o jornalismo. Por esse motivo, quem escuta a frase “Isso não é jornalismo, é política” diante de alguma situação, se revolta.

Na política, foi vereador em Santos por um mandato (de 2013 a 2016), e nessa época ocupou a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do partido Democratas (hoje União Brasil) e da União dos Vereadores da Baixada Santista (UVEBS).
“Acredito que a boa política é a que agrega, dialoga, informa e conquista”, disse. No jornalismo, passou pelas rádios: Guarujá, Tribuna AM, Clube de Santos e Litoral FM. Já na televisão, atuou na Record Litoral, TV Mar e agora na Santa Cecília TV.
Diante do crescimento das mídias sociais e do acesso à informação, o varejo que se impõe sem observar fonte e escrita é o que preocupa Douglas. Segundo ele, “a internet é para todos mas o jornalismo é para os que passam pela universidade”, essa fala já responde sua opinião sobre o diploma da profissão, que considera de extrema importância.
“Mesmo que a formação acadêmica não seja 100%, ela vai te orientar a descobrir seu perfil e maiores áreas de interesse, se gosta mais de rádio, de televisão, social media ou assessoria de imprensa”, completa o jornalista.
Sobre a sindicalização como jornalista, considera importante. “Sou sindicalizado e acredito que só assim, em uma entidade sindical atuante, que os profissionais podem unir suas forças para defender a profissão e lutar por melhorias” declara.
O jornalista que decide se candidatar pode ter uma certa vantagem ao saber usar a comunicação ao seu favor, os mais atualizados já devem saber quão importante é divulgar seu trabalho nas redes sociais, pois nos dias atuais, apenas o corpo a corpo pode não ser suficiente. Na entrevista, Douglas relata: “Ao ser atuante na sociedade, trabalho ou segmento em que atua, tem chances de se eleger se fizer o bom uso da comunicação. E quanto a um jornalista na equipe? Fundamental”.
A televisão, diferente das mídias sociais, permite uma imagem mais desnuda dos políticos, portanto é importante para a população também, ao modo que mostra um pouco mais a realidade e informa quem não participa ativamente na política, entrevistas ao vivo e coletivas de imprensa são uma tática.
Para Douglas Gonçalves, o jornalismo e a política se complementam. “Acho que um bom jornalista não pode perder sua veia crítica frente às câmeras e junto aos seus eleitores. Continuo sendo o mesmo e respeitando o que faço nas duas áreas pois acredito na boa política, e talvez esse seja o motivo da minha não reeleição”, completou.

Nelsinho Filho
Ele começou a cursar Comunicação Social na primeira turma da Universidade, em 1993. Naquela época, o jornalismo era visto como um dos maiores comprometimentos com a população, e o poder de se inserir nas camadas mais carentes da sociedade de forma a defendê-las e ajudá-las foi um dos motivos de sua escolha.
“Tenho orgulho de ter estudado na Unisanta, pois a mesma cumpriu, e continua cumprindo o papel de formar e lançar grandes profissionais ao mercado de trabalho”, declarou.
Entretanto, a política entrou em sua vida um pouco antes, em 1988 mais especificamente, quando participou de trabalhos de uma candidatura a prefeito, em Guarujá. Desde então, a trajetória na Prefeitura de Guarujá foi longa.
Alguns dos cargos ocupados foram: coordenador de esporte, chefe da vigilância e segurança, assessor de vereador, assessor de gabinete do prefeito, diretor de esporte e atualmente assessor de imprensa.
Apesar de várias candidaturas, foi eleito vereador pelo MDB com 1.938 votos, no mandato de 2013 a 2016, e de 47 projetos de leis apresentados, 41 foram aprovados e sancionados.
Na eleição de 2016 obteve 2.312 votos, mas em função do quociente eleitoral, não se reelegeu. Nesse mesmo ano, entraram nove vereadores com menos votos que ele. Posteriormente, foi convidado para ser assessor parlamentar de deputado federal, quando se mudou da Cidade e, na sequência, assumiu o cargo de coordenador de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo.
Ao voltar para o Guarujá, assumiu a Diretoria de Desenvolvimento em Petróleo e Gás, onde ficou até a sua última candidatura, em 2020. Em meio a pandemia da Covid-19, contraiu a doença, tendo seu pulmão comprometido em 60% durante a campanha oficial, e mesmo assim, obteve 1.797 votos e uma das suplências do partido.
Além disso, teve passagem por diversas rádios desde a faculdade, e na televisão atua até hoje, como comentarista no programa Esporte Por Esporte, da Santa Cecília TV, e como apresentador no programa Na Onda do Esporte, da ISTV.
Hoje em dia, o jornalista lê poucos jornais impressos, e para ele, o crescimento das mídias sociais tem sido importante para dar velocidade à informação, mas perigoso pela falta de controle.
Nas eleições, o papel das plataformas é outro: “Elas concedem maior visibilidade às candidaturas, e principalmente oportunizam o eleitor a conhecer um pouco mais sobre a biografia dos seus candidatos, porém o corpo a corpo é tão ou mais importante que as redes sociais”.
Com isso, Nelsinho acredita que o jornalismo é e tem que continuar sendo sua profissão, e, a política, o meio de representar a população de forma republicana, atendendo e contribuindo para diminuir suas necessidades básicas.
Por fim, o desenvolvimento dos meios de comunicação em massa supriu e minimizou a importância da presença no testemunho de acontecimentos, especialmente no plano político. Mediante o relato do fato, o jornalismo passou a compensar essa ausência, ocupando assim papel de relevo na política, chegando a integrá-la.
Em 1919, o economista e sociólogo alemão Max Weber apontou a carreira jornalística como a primeira profissão política remunerada em ‘A política como vocação’, onde escreveu: “Somente o jornalista é um político profissional pago”.

Texto: Ana Clara Dias Antonio / Diagramação: Ana Clara Dias Antonio
Edição Digital: Thiago Scorvo e Sabrina Campos




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