Em Praia Grande, Fúria MC busca reconhecimento do público regional
- falacomoprud
- 27 de ago. de 2024
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O artista caiçara luta por espaço na cena musical do Hip HOP
O Hip Hop, movimento cultural nascido nas ruas e comunidades periféricas, completou 50 anos recentemente, sendo forte meio de expressão da realidade das populações marginalizadas, e se tornando veículo de resistência e batalha por vidas mais justas.
Originado nas periferias de Nova Iorque na década de 1970, o Hip Hop engloba elementos como o rap, abreviação de Rhythm And Poetry (Ritmo e Poesia), que, através das rimas dos MCs (Mestres de Cerimônia), conquistou relevância global.
No Brasil, o movimento chegou em meados de 1980, enfrentando preconceitos e desafios sociais, mas permitindo que as vozes das periferias ganhassem destaque no cenário nacional.
No rap brasileiro, a trajetória de um MC em busca de espaço na indústria é marcada por desafios, onde a persistência e dedicação são fundamentais para o sucesso.
Quem é Fúria?
Leonardo da Silva Pereira, mais conhecido como Fúria MC, é um jovem de 22 anos, morador de Praia Grande, que está iniciando sua jornada musical, e sonha em alcançar o reconhecimento no mundo do rap.
Desde cedo, Fúria teve contato direto com o gênero, descobrindo seu talento para criar rimas ainda na época de colégio.
"Foi por volta dos meus 14, 15 anos, durante as aulas, que eu e meus amigos brincávamos de criar rimas. Eu percebia que tinha facilidade para rimar. Escutava muito rap, funk, e até rock, o que me ajudou a desenvolver fluidez nas rimas. Foi quando percebi que conseguia fazer o que os MCs faziam nas músicas, só que de forma descontraída, brincando com os amigos dentro da sala de aula", recorda.
Aos 16 anos, o rap se tornou sua escolha definitiva.
"Passei a ouvir mais rap do que antes e pensei: 'eu consigo fazer isso'. Rabisquei meus primeiros versos no caderno, rimando naturalmente, escrevendo minhas letras e pegando beats na internet."
Enquanto estudava, o jovem foi incentivado por seus colegas a continuar com as rimas, o que lhe rendeu importantes contatos e apoio.
"Consegui fazer conexões com o pessoal da Etec, onde também estudava. Eles gostavam das minhas rimas e, com a ajuda deles, gravei minha primeira música. Fiz tudo em casa, gravando com meu celular. Um amigo jornalista se interessou e acabamos gravando um videoclipe em Mongaguá", revela.
Apoio Familiar Impulsiona Início de Carreira
Investir em uma carreira musical exige esforço financeiro significativo, especialmente com poucos recursos. Apesar das dificuldades e de uma vida humilde, o MC contou com o apoio de seu pai para dar os primeiros passos na música, o que permitiu a gravação de seu primeiro single em estúdio.
"Naquela época, quando comecei a me interessar pela música, precisava tanto de apoio financeiro quanto emocional. Lembro de ter participado de uma batalha de Slam, onde conheci alguém que elogiou minhas habilidades e me apresentou a um produtor local. Reconhecendo meu potencial, meu pai me ajudou financeiramente a gravar minha primeira música em estúdio, 'Tá chovendo nota'."
Hoje, com mais de 41 mil visualizações em seu canal oficial no YouTube e um total de 4 mil seguidores em suas redes sociais, o jovem já lançou sete músicas ao longo de sua carreira.
As batalhas de rima desempenham um papel importante em sua trajetória, contribuindo para a divulgação de seu trabalho e o crescimento de sua rede de contatos. Fúria destaca as batalhas em Praia Grande, como a 'Sem Nome', onde chegou à final, e a batalha do 'Retorno', na qual ficou entre os quatro melhores.
"As batalhas sempre foram fundamentais para mim. Elas me ajudaram a evoluir artisticamente e a conhecer pessoas influentes do meio, como grandes MCs da Baixada, da capital e produtores."
Essas experiências permitiram que Fúria participasse de músicas de outros artistas, consolidando mais um passo em sua jornada no rap da Baixada Santista e inspirando outros artistas a crescerem dentro do Hip Hop.
Desafios da carreira são inúmeros
Assim como em outros setores artísticos, alcançar reconhecimento no mundo do rap é uma jornada longa e desafiadora, que exige tanto recursos financeiros quanto dedicação. Muitos rappers, vindos de origens humildes e moradores de áreas suburbanas, enfrentam obstáculos significativos ao longo desse caminho. Os altos custos de produção musical são uma barreira que dificulta o crescimento dos artistas.
“É complicado, pois além de me sustentar, tenho que lidar com as responsabilidades da vida, o que faz com que a música não seja meu foco principal no momento. É um investimento grande. Como artistas, precisamos de dinheiro para gravar a voz, contratar alguém para fazer o beat, o que pode custar quase R$ 1 mil. Depois disso, um videoclipe profissional sai por R$ 1 mil ou mais.”, afirma.
O MC também destaca a importância da parceria entre os rappers, mostrando como essa colaboração abre portas e oferece recursos acessíveis para viabilizar seus projetos. Ele enfatiza a união e o apoio mútuo dentro da comunidade artística.
“Conheço muitas pessoas do hip hop, produtores que se dispõem a oferecer descontos ou até mesmo trabalham de graça. A maioria dos eventos e shows que participo vêm de contatos que fiz ao longo da minha trajetória no rap, que me trazem oportunidades e suporte. Quem está batalhando no rap sempre procura ajudar outros na mesma luta, para que todos cresçam juntos.”, afirma.
Apesar dos desafios e preconceitos, o rap continua sendo uma voz poderosa da periferia, e artistas como Fúria MC seguem firmes na batalha por espaço e reconhecimento, mantendo viva a chama de uma cultura que transforma realidades e inspira novas gerações.
Por: Yasmim Ribeiro
Edição: Gabriel Prudêncio






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