Ilha dos Arvoredos: conheça o laboratório a céu aberto pioneiro em sustentabilidade e pesquisa ambiental
- Equipe Agregae

- 15 de abr. de 2025
- 6 min de leitura
Por Gustavo Cardoso
A Ilha dos Arvoredos, projetada em 1950 pelo engenheiro e visionário Fernando Eduardo Lee, abriga hoje o projeto “Mundo Sustentável”. O projeto, que nasce da parceria entre a Fundação Fernando Eduardo Lee e o Instituto Nova Maré, permite ao público conhecer e interagir, por meio de visitas colaborativas e de Educação Ambiental neste paraíso da Sustentabilidade.
O laboratório a céu aberto, com 36 mil m², carrega um valor histórico, científico e ambiental único para a Baixada Santista. A professora Priscilla Bonini Ribeiro, conselheira da Fundação Fernando Eduardo Lee e pesquisadora-líder do projeto da Ilha dos Arvoredos, em entrevista ao Agregaê detalha a importância do projeto e explica o que a levou a integrar a iniciativa.
“Acredito que a Humanidade só tem futuro se nos permitirmos aprender diariamente, a mudar, reinventar, preservar, criar e sonhar, onde pode-se enxergar futuro quando a ciência atua em benefício da Humanidade”
Priscilla é diretora-geral da UNAERP campus Guarujá, diretora de Segmento Universidades do SEMESP, doutora em Tecnologia Ambiental, Mestre em Educação, formada em Administração e Pedagogia. É autora dos livros “Ilha dos Arvoredos - Paraíso da Sustentabilidade”, “Educar para Educar - Inquietações, Entraves e Novas Conexões” e “Entre Letras e Linhas”.

O projeto de pesquisa em energia autossustentável da Ilha dos Arvoredos é considerado um dos precursores do tema, muito por conta da visão de Fernando Eduardo Lee sobre o assunto. No momento quais os avanços que o projeto toma para tornar o planeta um lugar sustentável?
A Ilha dos Arvoredos tem em seu DNA a inovação e o desenvolvimento de pesquisas em benefício da Humanidade. Desde o início, várias iniciativas foram implantadas na Ilha com essa característica inovadora. E já naquela época, Lee era um grande idealista, à frente do seu tempo, que já percebia que era essencial buscar soluções energéticas mais limpas, ações em harmonia com o meio ambiente.
Aliás, ele já praticava a sustentabilidade antes mesmo desse termo ser criado, e em uma época em que não havia escassez de recursos como vemos atualmente. E a Ilha neste sentido foi criada como um grande laboratório a céu aberto para inovação. Na área energética, Lee instalou as primeiras placas solares do Brasil, e antes de falecer, uma de suas últimas obras foi a instalação de um sistema de energia eólica na Ilha. E essa história de vanguarda teve um novo capítulo recentemente.
Ano passado, com ajuda de parceiros e colaboradores, resgatamos a tradição pioneira em energias limpas da Ilha dos Arvoredos com a implantação de um novo sistema de energia solar, que permite distribuir energia elétrica para pontos-chave da ilha.
É assim, com união de esforços nos projetos da Ilha dos Arvoredos que podemos mostrar às pessoas como sermos mais sustentáveis, como nossas práticas diárias podem impactar menos o meio ambiente através de nossas escolhas de consumo, de gestão de resíduos, de atitudes em harmonia com o planeta.
Fernando Lee antes de falecer criou uma fundação para dar continuidade aos seus projetos científicos na ilha. Com o lema de pesquisa em benefício a humanidade, Lee preestabeleceu qual seria o rumo e o futuro de seu projeto. Poderia me explicar melhor quais são os atuais projetos em andamento e quais são as pesquisas que podem ser uma realidade futura?
Todas as parcerias da Fundação Fernando Eduardo Lee com instituições, como a UNAERP e o Instituto Nova Maré, são muito bem-vindas, pela união de esforços de colaboradores, parceiros e voluntários.
A Fundação tem como missão dar continuidade a todo esse legado de Fernando Lee e da própria Ilha, mas principalmente, fomentar projetos de pesquisas e atividades de extensão que contribuam para o desenvolvimento individual e coletivo através da Educação e do conhecimento baseado em evidências.
Sendo assim, além do projeto Mundo Sustentável - que possibilita uma imersão por meio de visitas ecoturísticas colaborativas em parceria com o Instituto Nova Maré - a Fundação Fernando Eduardo Lee também apoia iniciativas científicas e sociais em parceria com a UNAERP, como o projeto de pesquisa do Horto Medicinal, que estuda o poder das plantas medicinais.
Outra ação conjunta é o projeto Economia Verde, dedicado à investigação e conservação da biodiversidade em uma área de transição entre os biomas Cerrado-Amazônia, no estado do Mato Grosso. Mas a Fundação está sempre em busca de parcerias, principalmente com instituições de ensino, de pesquisas e empresas responsáveis que possam somar esforços e contribuir para outras frentes de desenvolvimento do conhecimento científico.
A ilha é certificada com o selo Green Key, e tamanha responsabilidade e reconhecimento pode abrir portas para uma realidade ainda maior para o projeto. Hoje, é uma realidade o projeto ser considerado e/ou fazer uma parceria de relevância mundial?
Para nós do projeto, a Ilha dos Arvoredos ter o selo Green Key é uma grande honra, mas também acompanha uma imensa responsabilidade. Acabamos de ter nosso selo renovado, demonstrando que conseguimos cumprir com os requisitos e levamos a sério o compromisso em manter práticas sustentáveis.
Essa visibilidade é fundamental para abrir caminhos para novas parcerias e, com isso, buscarmos novas formas de fomento aos nossos projetos e ainda, despertar o olhar para destinos turísticos mais sustentáveis.
O projeto Mundo Sustentável é uma realidade entre a parceira de sucesso da Fundação Fernando Eduardo Lee e o Instituto Nova Maré. Projeto esse que permite ao público conhecer e interagir com a ilha por meio de visitas colaborativas. Para aqueles que visitam a ilha como forma de passeio, também é preparado um material didático sobre a conscientização? Se sim, alguma possibilidade de futuramente ser lançado materiais didáticos a toda população sobre sustentabilidade e os cuidados com o nosso planeta?
O projeto Mundo Sustentável tem seu arcabouço marcado pela Educação Ambiental. Ele é embasado na minha tese de doutorado, em que criei um novo modelo de Educação Ambiental baseado em metodologias ativas onde a Ilha dos Arvoredos é o grande cenário de aprendizagem.
Essa interação com a ilha, através das visitas, potencializa o aprendizado de maneira mais dinâmica, estimulando os visitantes a serem protagonistas nesse processo, trabalhando a sustentabilidade e a consciência de que se agirmos agora, pensando nas novas gerações, poderemos mudar o futuro.
Nessa aplicação prática do projeto, através das visitas monitoradas, apresentamos aos visitantes os atrativos de sustentabilidade, como visualizar a sustentabilidade na prática. E a comunicação visual instalada na Ilha ajuda nesse sentido, com detalhes e mais informações disponibilizadas aos participantes.
Também em oportunidades como esta, em que nós podemos falar sobre o projeto em entrevistas ou mesmo em palestras, buscamos sensibilizar a sociedade, governantes, empresários e a comunidade a contribuir com práticas e ações visando a preservação e sustentabilidade dos recursos naturais do nosso planeta.
Agora uma pergunta direcionada a pesquisadora-líder do projeto. Priscilla, o que levou você a escolher o projeto Ilha dos arvoredos para fazer parte da sua vida?
Sou de uma família de educadores e creio no real poder da Educação para transformar a vida e a realidade das pessoas. E desde que conheci a Ilha por intermédio do meu saudoso tio, Evandro Bonini, que assumiu a presidência da Fundação após o falecimento de Fernando Lee, me encantei pela ilha, assim como meu tio, e senti que poderia contribuir com este projeto com os preceitos de Educação Ambiental.
Fui convidada a ser conselheira da Fundação, que mantém toda essa história viva através do trabalho da presidente e vice-presidente que o sucederam na Fundação, Profa Elmara Bonini e Profa Suzelei de Castro França.
Após meu tio falecer, busquei através da minha tese resgatar toda essa história e ser uma forma de homenagem ao Fernando Lee, ao Evandro, e a todos que se dedicaram e se encantaram pela Ilha.
A tese deu origem ao livro “Ilha dos Arvoredos - Paraíso da Sustentabilidade”, onde conto meu ousado e disruptivo objetivo: mudar conceitos e atitudes por meio dessa experiência única de sustentabilidade.
Seguindo a linha de raciocínio. Priscilla, qual foi o motivo crucial que fez você escolher a área das pesquisas em sustentabilidade como o seu grande amor na carreira?
Esse encantamento pela Ilha dos Arvoredos me fez perceber que poderia contribuir com minha experiência como educadora para aliar ciência e tecnologia. Ao ingressar no doutorado em Tecnologia Ambiental, sabia que a Ilha seria um importante case para estudos ambientais.
É uma forma de transformar conhecimento em impacto real, para buscarmos uma relação mais harmônica entre os seres humanos e a natureza, para um futuro mais sustentável.
Para finalizar, não é de hoje que vemos as mudanças climáticas acontecendo de forma prejudicial em nosso planeta. As grandes mídias que deveriam estar se preocupando em criar matérias que alertam e estimulam a sociedade sobre como tudo isso é prejudicial, deixam de lado o assunto para se beneficiar de outros temas mais chamativos. Se pudesse mandar uma mensagem para o mundo em prol da conscientização qual seria?
Minha intenção e de todos os pesquisadores e colaboradores da Ilha é sensibilizar a todos sobre a importância da Sustentabilidade para nosso planeta. Acredito que a Humanidade só tem futuro se nos permitirmos aprender diariamente, a mudar, reinventar, preservar, criar e sonhar, onde pode-se enxergar futuro quando a ciência atua em benefício da Humanidade.




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