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Mulheres que lutam pelos seus filhos autistas

  • Foto do escritor: Revista Viral
    Revista Viral
  • 13 de dez. de 2023
  • 4 min de leitura

Conheça a história dessas mães que lutam por uma sociedade sem preconceitos


Por: Rodrigo Andrade, Andressa Rosario e Michele Figueiredo


As mães de filhos com transtorno do espectro autista (TEA) enfrentam grandes desafios nos estabelecimentos de ensino e na sociedade em geral. Para essas mães, a luta por respeito e inclusão é a melhor forma de adquirir políticas que facilitem a vida de todos os filhos com TEA.


Ana Carolina Buciano, 41, trabalha como bancária da Caixa Econômica Federal, e mora na cidade de Praia Grande junto com seu marido e o filho autista Lucas Buciano de Santos, de 10 anos.





Ana explica que já desconfiava que o filho portava o espectro autista, mas ainda não tinha certeza. Era um momento de dúvidas que a deixaram apavorada e desesperada em busca de apoios.


O diagnóstico de autismo foi dado quando Lucas tinha dois anos e meio. A reação inicial foi de luto, desamparo. Ela não tinha nenhuma referência de algum autista na família, e foram seis meses de incertezas, em busca de profissionais que pudessem dar o apoio necessário ao menino.


Ao mesmo tempo, Ana pesquisava em blogs de mães de autistas para obter informações, compartilhar experiências e sentir que não estava sozinha naquela situação. O jovem teve educação infantil numa creche, e na época tinha uma mediadora que o auxiliava no convívio com os colegas e nas atividades que ocorriam na creche.


Já no primeiro ano do ensino fundamental, o filho estudava na mesma escola onde o pai trabalhava, mas quando ele foi demitido, Ana preferiu transferi-lo para outra unidade de ensino. Durante a pandemia de Covid, foi um período extremamente difícil porque as aulas do primeiro e segundo anos do ensino fundamental foram remotas.


Já no terceiro ano, os pais decidiram mudar Lucas de escola e essa decisão acabou por se tornar uma grande decepção. Nos três primeiros dias de aula tudo transcorreu normalmente, mas no quarto dia a coordenadora da escola chamou Ana para uma reunião. Na sala, a coordenadora afirmou secamente: “Seu filho deveria ir para uma escola de crianças especiais”.


Para Ana, a fala da coordenadora expressava discriminação e capacitismo. Com a ajuda de amigos, ela decidiu que Lucas Iria para uma escola pública e a medida se mostrou acertada, pois ali ela encontrou tudo que a lei de inclusão brasileira determina: profissionais qualificados, salas de apoio, plano individual de ensino e assistência psicológica.


Hoje em dia, Ana Carolina participa de um grupo que existe em todos os cantos do Brasil, o Tea Apoio, uma rede nacional que têm como objetivo dar respaldo aos pais no cuidado com essas crianças. No site, também são divulgados atos de protesto em favor das pessoas com aspecto autista.


Atualmente, Ana é mediadora do Tea Apoio - Baixada Santista, e se sente gratificada com essa atividade porque pode passar para outras mães o que vivenciou na batalha para oferecer uma boa retaguarda ao seu filho. No site da instituição, a mediadora compartilha ensinamentos, promove rodas de conversa e convoca os pais a irem nas manifestações em prol da comunidade autista.


Andressa Cristóvão é paulistana, dona de casa, mora em Santos com seu marido Jean Fábio e o filho Fernando Cristóvão, de 14 anos. Andressa é autista e percebeu que seu filho também tinha o transtorno quando o menino contava com quatro anos. Na ocasião, ela se sentiu culpada pelo filho ter adquirido o TEA. No início, Andressa preferiu esconder o que estava se passando com Fernando e não contou até mesmo para o marido, porque ela se sentia culpada pelo fato de o filho ter o mesmo problema de saúde.


Seu marido Jean, trabalha como autônomo, mas a auxilia nos afazeres de casa e nas crises que Andressa sofre por conta do transtorno de TEA. Durante o dia a dia, ele é que faz as compras de casa e leva Fernando para a escola, pois Andressa se sente incomodada em ir em lugares com muito barulho.





No começo, ela se sentia apavorada por ele repetir comportamentos que ela tinha quando descobriu o seu autismo. Andressa se considera muito emotiva, por conta das situações que já enfrentou.


“Eu sou muito carente, meu filho é uma coisa sagrada, e dentro de todas as circunstâncias, tento dar o melhor para ele”.


Sua família se afastou quando Fernando foi diagnosticado com TEA por acharem que o médico estava dizendo asneiras: Andressa descreve seu filho como lindo, sorridente, ingênuo e infantil. Na sociedade em geral, ela explica que as pessoas dizem que o seu filho não aparenta ser autista pela beleza que possui.


A convivência de Fernando com a sociedade é extremamente leve e sempre está buscando socializar com outras pessoas. Todas as quartas-feiras, ela o leva para o Bar Save Point, especializado em jogos de pinball e arcade.


Eluana Pereira, 36 anos, moradora da área continental de São Vicente, terceira cozinheira do Sheraton Santos, descobriu que seu filho Enzo Pereira, atualmente com 8 anos, possuía o espectro autista quando uma amiga com um filho autista constatou que ele tinha o comportamento característico dos portadores do TEA. A partir daí, seguiu a procura por especialistas que pudessem ajudá-lo. Depois de uma fase de muito desespero e tristeza, ocasião em que até seu marido resolveu abandonar a família, hoje Eluana sente orgulho do filho e se mostra feliz com o desenvolvimento do msenino.


Segundo levantamento feito em 2012 pela Baresi, organização que busca melhorar a qualidade de vida e inclusão social, mostra que 78% dos pais abandonam seus filhos quando eles são diagnosticados com autismo.







Na escola, Eluana afirma que ele têm bastante acolhimento por parte dos professores e colegas no ambiente escolar, mas existem dificuldades como a comunicação e o barulho na sala de aula. Quando isso acontece, a professora da classe precisa intervir para que ele não fique agitado.


Em relação aos preconceitos sofridos na sociedade, ela explica que durante a festa de uma “comadre”, como ela gosta de se referir às amigas mais próximas, seu filho foi alvo de preconceito por parte de uma outra mãe. Ao verificar a condição de Enzo, essa mãe não permitiu que seu filho e ele brincassem juntos. A reação de Eluana foi fazer com que o filho não percebesse o ato discriminatório. “Eu defendo meu filho de qualquer desavença que aconteça com ele, e não deixo barato”.


Ser mãe de um filho autista requer muito trabalho e dedicação, mas as histórias dessas três mães revelam que o amor é capaz de vencer qualquer desafio.








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