top of page

Patinetes elétricos: de ‘febre’ ao desaparecimento pelas ruas de Santos

  • Foto do escritor: Primeira Impressão
    Primeira Impressão
  • 27 de ago. de 2024
  • 4 min de leitura

Prefeitura recolhe os veículos elétricos das ruas e a principal empresa, JET Sharing, deixa de atuar na cidade de Santos


Por: Gabriel Zanutti

Editado por: Giovanni Affonso


Patinetes sendo removidos pelos trabalhadores da CET por ocupação irregular / Foto: Prefeitura de Santos


Os patinetes elétricos se estabeleceram como um símbolo da paisagem urbana de Santos, conquistando a admiração dos residentes e visitantes por sua praticidade e eficiência. Contudo, apesar de sua popularidade, surgem debates sobre a acessibilidade desses veículos, uma vez que seu uso é restrito a áreas específicas do município, limitando a mobilidade dos usuários e gerando frustrações.


A JET Sharing, empresa responsável pelo serviço de aluguel dos patinetes, viu-se obrigada a interromper suas operações no início de março deste ano, após uma reunião com

autoridades da Prefeitura de Santos. O anúncio desse desfecho ocorreu por meio de uma nota oficial, uma vez que a empresa, de origem estrangeira, optou por manter-se reservada, evitando declarações públicas adicionais que poderiam agravar a situação.


Com o encerramento das atividades, a JET Sharing revelou que mais de 100 mil usuários estavam ativos na plataforma no momento da suspensão. Além disso, a empresa informou que está empenhada em reembolsar os valores depositados na carteira do aplicativo, bastando que os usuários entrem em contato com o suporte para solicitar a devolução do saldo.


No entanto, os bônus concedidos pela empresa não serão reembolsados, o que implica que os usuários receberão apenas o valor correspondente ao que pagaram efetivamente, sem considerar os minutos adicionais de uso oferecidos como incentivo aos novos usuários.


A JET Sharing argumentou que a Prefeitura não aceitou os alvarás necessários para a operação dos equipamentos e que a situação permanece sem solução.


Além disso, a empresa afirmou que, apesar de manter em dia seus impostos e taxas, foi obrigada a pagar multas, totalizando R$ 30 mil, à Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos, devido às frequentes apreensões de veículos decorrentes do descumprimento das leis de trânsito por parte de clientes.


Para os usuários afetados que buscam esclarecimentos ou assistência adicional, a JET Sharing disponibilizou diversos canais de contato, incluindo e-mail, WhatsApp e Telegram. No entanto, devido à sua sede na Geórgia, Europa Oriental, a empresa não mantém presença em redes sociais em língua portuguesa, o que pode dificultar a comunicação

para alguns usuários.


Nesse impasse entre a prefeitura e a empresa, os usuários afetados encontram-se em

uma posição de incerteza, enquanto aguardam por soluções para seus problemas e esclarecimentos sobre o futuro dos serviços de patinetes elétricos na cidade.




Problemas com usuários


Muitos cidadãos santistas tiveram prejuízos financeiros e de locomoção com a retirada dos patinetes elétricos / Foto: Nando Santos BoqNews


Felipe Gomes utilizava os patinetes para ir até o seu trabalho. Por conta da saída dos modais da cidade, precisou buscar outro meio de locomoção até o seu trabalho. O estagiário de odontologia utilizava a plataforma desde quando começou a andar nas praias de Santos por lazer, e começou a utilizar para o trabalho.


Porém, o estudante deixou na plataforma cerca de R$25,00. Apesar de entrar em contato com o suporte, não consegue receber o dinheiro. A empresa não é do Brasil e existem locais que indicam que o CNPJ é do Uzbequistão ou até mesmo da Rússia. Até o momento, Gomes tentou contato com o suporte mas não obteve sucesso.




Regras de utilização


Normas de mobilidade urbana são instauradas para promover os novos meios de transporte sustentáveis / Foto: Silvio Luiz (AT)


De acordo com a legislação vigente, os patinetes elétricos são autorizados a circular em áreas reservadas para pedestres, comumente conhecidas como "passeios". Essa regulamentação busca não apenas garantir a inclusão esses meios de transporte alternativos no cenário urbano, mas também assegurar uma convivência segura e harmônica entre os pedestres, promovendo mobilidade eficiente para os usuários.


Além disso, as diretrizes definem uma velocidade máxima de 6km/h para a circulação de patinetes elétricos em locais específicos, como ciclovias, ciclo faixas e ciclorrotas. Essa medida é fundamental para preservar a segurança tanto dos usuários desses veículos quanto dos demais indivíduos que compartilham esses espaços.


Em vias urbanas com velocidade máxima regulamentada de até 40km/h, onde não haja infraestrutura dedicada, como ciclovias, ciclo faixas ou ciclorrotas, os patinetes elétricos podem circular pelo bordo da pista, desde que conduzidos apenas pelo condutor e respeitando uma velocidade máxima de 20km/h. Essa medida busca conciliar a fluidez do tráfego com a segurança dos usuários, promovendo uma convivência equilibrada entre

os diferentes modos de transporte presentes nas vias urbanas.


Portanto, essas regulamentações refletem o compromisso das autoridades em promover uma mobilidade urbana mais sustentável e segura, em que os patinetes elétricos desempenham um papel importante como uma alternativa de transporte eficiente.




Nota da Prefeitura


"Por meio de nota, a gestão municipal de Santos, por intermédio da Secretaria de Finanças e Gestão, tomou a decisão de não conceder a licença necessária para a operação

da empresa em questão dentro dos limites da cidade.


No início do processo de avaliação do pedido, a empresa obteve uma autorização preliminar que lhe conferiu o alvará de licença, permitindo-lhe assim iniciar suas atividades. No entanto, à medida que a análise se aprofundava, tornou-se evidente que as operações planejadas pela empresa não estavam alinhadas com as diretrizes estabelecidas pela legislação local.


Diante disso, o processo foi submetido a uma revisão minuciosa e detalhada, resultando, por fim, no indeferimento definitivo da solicitação de licença. Essa determinação foi tomada com o objetivo primordial de garantir o estrito cumprimento das normas municipais, visando proteger a segurança e o bem-estar dos cidadãos de Santos.


A administração reforça seu compromisso com a ordem urbana e a regularidade das atividades comerciais no âmbito municipal, buscando sempre criar um ambiente propício ao desenvolvimento sustentável e ao bem-estar coletivo de todos os habitantes."




 
 
 

Comentários


bottom of page