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Ergon Cugler comenta o cenário atual das mudanças climáticas no mundo

  • Foto do escritor: Equipe Agregae
    Equipe Agregae
  • 8 de abr. de 2025
  • 4 min de leitura

Por Henrique Godinho


Mudanças climáticas são as alterações provocadas nos padrões climáticos a longo prazo e, inclusive, têm sido alvo de discussões no mundo todo, preocupando a população. Elas podem ser causadas por processos naturais e também pela ação do homem.


O jornalista e pesquisador, Ergon Cugler, levantou polêmicas sobre a temática das energias sustentáveis, mostrou os culpados pelo cenário atual das mudanças climáticas e quem mais sofre por esses problemas.


Ergon Cugler em Brasília
Ergon Cugler em reunião, em Brasília-DF, de enfrentamento a desinformação. / Crédito: arquivo pessoal.
O que você acha que é o maior desafio causado pelas mudanças climáticas hoje?

R: Em primeiro lugar, o grande assolamento que a gente tem em relação a regiões vulneráveis. Por exemplo, no Rio Grande do Sul, quando a gente teve aquele conjunto de enchentes que durou dias, a gente infelizmente teve vidas perdidas e pessoas que ficaram sem lares. Mas esse tipo de dinâmica acaba acontecendo de forma fracionada se a gente olha para comunidades que moram nas encostas de morros etc.


Então, a população mais vulnerável é a que mais sofre pelos efeitos das mudanças climáticas. Quem mora em uma região mais privilegiada geralmente vai sentir esse efeito de forma mais leve, mais branda. Então essa é uma grande preocupação.


Quais são as soluções mais eficazes para combater o aquecimento global?

R: Ele precisa acontecer com um compromisso que seja entre o setor privado, as empresas e os governos. Então não adianta simplesmente a gente ter papel escrito dizendo que as pessoas precisam parar de poluir, como são vários protocolos e resoluções de copes, de encontros que acontecem. O mais importante é que as empresas cumpram esses protocolos e que os governos fiscalizem.


Então as principais soluções é, obviamente, investir em tecnologia limpa, renovável, garantir processos mais democráticos, mas o ponto mais importante é fazer com que a legislação seja cumprida, porque senão é tudo um monte de papel que a gente tem ali e que efetivamente não vira ação concreta. Então seria a efetividade das decisões e das políticas públicas.


A mudança climática é uma responsabilidade individual ou coletiva?

R: Eu sou bem da linha de que ela é totalmente coletiva, inclusive a nível de processo decisório. Pense aqui comigo. Se a gente falar que basta fechar a torneira para preservar o meio ambiente, a gente está considerando uma parcela ínfima do consumo de água cotidiano.


Porque onde mais tem consumo de água é na indústria, por exemplo, ou seja, na produção de uma série de equipamentos, de produtos, ou até na agropecuária, onde tem um gasto enorme de água para a produção de carne bovina, por exemplo.


Então não chega a um valor ínfimo percentual se a gente for ver o que é a redução ali da água enquanto a gente escova o dente. Então pensar no nível individual pode, de fato, engajar uma pessoa ou outra, mas nem se toda a sociedade unida fizesse alguma coisa individualmente, resultaria tanto quanto se a gente tivesse uma cobrança mais efetiva das ações das empresas e do setor produtivo, né?


Não basta a gente reduzir individualmente, a gente precisa cobrar que quem produz em larga escala, seja a agropecuária, seja o setor industrial de forma geral, tenha uma redução significativa no consumo de água, por exemplo.



Ergon Cugler em palestra
Ergon Cugler em palestra ministrada na FAAP. / Crédito: arquivo pessoal.
Como as empresas podem contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa?

R: Eu vou trazer um exemplo que diz respeito a data sets. Então a gente tem, por exemplo, grandes bancos de dados, onde a gente tem treinamentos de inteligência artificial, onde é a nuvem, por exemplo, que a gente diz que tem a nuvem dos dados, né?


Todas essas coisas consomem muita água, porque quanto mais ele precisa processar os dados, por exemplo, a base de treinamento do chat GPT, mais quente fica e nessa dinâmica a água vai evaporando. Existem relatos e pesquisas que apontam que várias bases espalhadas ao redor do mundo de data sets têm feito até rios desaparecerem, rios, lagos mesmo, né? Porque seca tudo.


Então uma medida prática que tem sido complementada neste exemplo é a reutilização de água. Então seriam aqueles 5R’s. Que é o reusar, reaproveitar, reciclar e todo esse ciclo que a gente tem voltado a otimizar melhor o consumo e o gasto ali de recursos.


Então a gente está falando desde nesse exemplo reusar a água até em outros exemplos tão melhor descarte. Então essa é a forma mais efetiva das empresas contribuírem para a redução dos efeitos das mudanças climáticas, especialmente pensando a lógica dos 5 R's.


Qual é a sua opinião sobre o papel das energias renováveis no futuro do planeta?

R: Uma grande preocupação que tem surgido, é que a gente achou que a virada de chave estaria nas energias renováveis, as chamadas por exemplo, eólica, solar etc. Só que o problema é que elas têm se mostrado não tão eficientes como é o caso da energia solar, porque ela depende de um momento do período de dia para poder gerar campos extensos para poder captar energia solar e nem necessariamente consegue suprir em larga escala o que é necessário.


E a eólica tem uma outra polêmica também que surge, que é que o barulho daquelas turbinas atrapalha as moradias que estão perto. Então por exemplo, tem casos já no nordeste de instalações de moinhos de ar, que é aquela turbina eólica que vai girando e gerando energia, portanto, que as pessoas, as comunidades locais estão fazendo a baixa assinado para tirar, porque causam tanto barulho que as pessoas não conseguem dormir, ter paz ou conviver no dia a dia.


Eu tô dando esses exemplos para dar um choque mesmo e dizer que nem sempre o que é visto como renovável necessariamente vai ser algo ali que vai solucionar todos os problemas. Tem novas formas de gerar energia, como é a fissão nuclear também, que tem se mostrado muito mais eficiente.


A grande corrida hoje global que tem sido liderada pela China passa por entender especialmente a fissão nuclear como uma forma de tecnologia que é muito mais limpa, muito mais potente e que não fica usando, por exemplo, combustíveis fósseis.


Então, de forma resumida, nem combustíveis fósseis, porque eles estragam e são limitados, poluem ainda mais. Nem tanto as energias chamadas renováveis, porque elas não têm se demonstrado o que a gente imaginou que elas seriam anos atrás. Talvez a alternativa esteja nas novas formas de gerar energia, como tem sido essa corrida global pela fissão nuclear.

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