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A PERVERSA E EFICAZ ATITUDE NA BUSCA POR VOTOS

  • Foto do escritor: Revista Viral
    Revista Viral
  • 18 de nov. de 2022
  • 4 min de leitura

Os jingles são uma peça chave nas eleições, criando uma conexão entre um nome e uma memória sonora


Crédito: Mariani Lourenço

"Ey. ey, Eymael, um demo-efetividade dessas musiquinhas-chiclete cristão" ou "Lula lá", são versos rapidamente identificados por qualquer brasileiro que tenha se aproximado da cena política nos últimos 20 anos. São dois exemplos do quanto um jingle pode se converter na marca registrada de um político. Eles grudam na cabeça como chiclete e de vez em quando se reapresentam na nossa memória da forma mais inusitada. É como se o botão de "repeat" fosse acionado constantemente e elas ficassem ali, martelando na cabeça por um bom tempo.


Jingles são uma peça importante do arsenal publicitário e não faltam no marketing politico como estratégia para aproximar o público do candidato. Mesmo que não tenham uma

letra sofisticada e nem uma melodia lá muito criativa, os jingles colecionam bons resultados nas eleições, já que são pensados para afetar a emoção do ouvinte, criando assim uma

conexão entre um nome e uma memória sonora.


A Viral realizou uma pesquisa nas redes sociais com 113 pessoas durante o mês de março de 2022, para saber o quanto as pessoas já se perceberam influência das pelos jingles em campanhas políticas. O dado que prova a efetividade dessas musiquinhas-chiclete é que 100% dos entrevistados se lembraram de algum jingle politico. Porém, apenas 16,8% confessaram ter votado sob a influência da música. Cerca de 60% confessam que se sentiram atraídos pelas canções,


O prefeito santista Rogério Santos ressalta a importância dos jingles na era das redes sociais.

"Deu para perceber a campanha ganhando corpo, ao perceber as pessoas cantando, findo minha candidatura" afirma.

Conseguimos facilmente voltar no tempo e rever na memória um avô que deixou saudade ao partir, uma tia que mora longe ou até mesmo um carinho de nossos pais.

Os jingles, além de desenvolverem esse gatilho de conforto, trazem na sua fórmula aspectos como rima, entonação, palavras-chaves que nos fazem recordar com mais facilidade da música.


Quem explica melhor é o neurocientista Jô Furlan: "Tudo que nosso cérebro absorve é recebido como memória positiva ou negativa, despertando gatilhos de diversas situações, objetos e pessoas. Dessa forma o jingle traz um sentimento bom, na maioria das vezes, fazendo com que continuemos lembrando da melodia que nos trouxe conforto".


Como fazer um jingle?

Outra vantagem dos jingles é que sua reprodução não fica restrita a uma única midia. Eles acompanham a mensagem na TV, passam pelo rádio, pelo carro de som e podem ser enviados até pelo WhatsApp diretamente para o eleitor.


Para compor um bom jingle, é necessário analisar o cenário político, a população, o que está na moda, o hit do momento e o mais importante de tudo: o perfil do candidato.

Cid Marcos de Lima professor do curso de Produção Multimídia na Unisanta, já cantou em quatro Jingles políticos durante sua carreira. Para ele, o maior desafio na produção de um jingle é conseguir atingir o coração, emocionar e conquistar o seu público-alvo em pouco tempo. "Melodias e letras fáceis ajudam que isso aconteça. Por isso, é muito válido que o eleitor conheça seu candidato através da música!", afirma.


Paródia nos jingles

Estima-se que, em média, o politico gaste em torno de 15 mil a 20 mil reais, visto que no orçamento deve entrar o aluguel do estúdio, o cantor, o clipe, fora a produção, edição e finalização do produto. Como o custo beneficio para criação de um jingle pode ser muito alto, alguns políticos optam por utilizar a letra em melodias prontas, as chamadas paródias.


Um exemplo disso foi na eleição municipal de 2016, quando a candidata à Prefeitura de Santos, Carina Vitral, parodiou um funk que viralizou nas redes sociais. Mesmo que não tenha vencido o "Eu, tu, nois, vota nela", foi um dos jingles mais lembra-dos na pesquisa feita pela Viral.


"Melodias e letras fáceis ajudam que isso aconteça. Por isso, é muito válido que o eleitor conheça seu candidato através da música", Cid Marcos - Professor universitário

"Campanha política não é fábrica de pão. A função do jingle é dar o saborzinho, o tempero da campanha", Marcelo Vitorino - Professor universitário



Jingle no Brasil

O jingle politico no Brasil é tão antigo quanto o voto livre no pais. Antigamente já existiam as paródias musicais ironizando os candidatos políticos.


Na campanha eleitoral do ex-presidente Getúlio Vargas, nos anos 1930, Já era comum notar o uso desta estratégia para cativar os eleitores. Foi assim que começou. A partir

dai, outros políticos também entraram na onda, como Jânio Quadros com o famoso jingle "Varre, varre vassourinha", que inclusive foi utilizado novamente por ele quando disputou as eleições para a Prefeitura de São Paulo em 1985 e sagrou-se vencedor.


De lá pra cá, os jingles nunca mais caíram no esquecimento, seja para as eleições municipais, estaduais ou federal, primeiramente no rádio, depois nas propagandas da TV e, atualmente, nas produções para a internet e mídias sociais.

Crédito: Mariana Nerome

A Era das Redes Sociais

Nos dias atuais, dependendo do local onde forem veiculadas, as canções podem variar de duração, linguagem e ritmo, de acordo com o público que a campanha pretende atingir.


Com o avanço tecnológico e o uso constante das mídias sociais, os jingles são cada vez mais importantes para os políticos.


Um bom jingle é a peça-chave na hora H. Mas, para isso, a qualidade do trabalho é

essencial. Segundo o professor de marketing politico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Marcelo Vitorino, "campanha politica não é fábrica de pão", explicando que a criação de um bom jingle depende do cenário politico, dos adversários, do perfil do candidato e dos eleitores. "A função do jingle é dar o saborzinho, o tempero da campanha* ressalta Vitorino.


A polarização de informações na internet juntamente com a mais nova plataforma de música e danças, o TikTok, auxiliarão os profissionais da área para engajar e compartilhar o conteúdo politico em todas as redes.



TEXTO E DIAGRAMAÇÃO: MARIANA NEROME, MARIANI LOURENÇO E MANOELA LOPES

EDITORA DIGITAL: GIOVANNA VEIGA


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