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“Para preservação é necessário repensar nosso consumo”

  • Foto do escritor: Equipe Agregae
    Equipe Agregae
  • 6 de mai. de 2025
  • 4 min de leitura

Marcelo Bokermann sobre medidas para preservação do meio ambiente em entrevista ao Agregaê


por Lucas Oliveira


O consumo excessivo e a produção em massa de materiais provenientes de recursos da natureza são práticas que o ser humano precisa diminuir para a melhor preservação do meio ambiente. Além disso, sobre as espécies são necessários incentivos governamentais para pesquisas de conhecimento de espécies.


Essas foram algumas sugestões do biólogo Marcelo Bokermann, supervisor da Reserva Natural do Sesc Bertioga, que foi o entrevistado do Agregaê, falando um pouco da influência do ser humano nos eventos de mudanças climáticas que vem ocorrendo, formas de preservação da biodiversidade e sobre a cobertura da mídia a respeito desses eventos. Confira o que o entrevistado contou.


Biólogo de Bertioga

Marcelo Bokermann é graduado em Biologia, taxidermista e ilustrador científico com foco de ações em ornitologia e educação




Marcelo, qual a relação das mudanças climáticas brutas que estamos sofrendo, com a ação do ser humano?


O planeta Terra, ele tem eras, né? Tempos em tempos que você tem mudanças climáticas naturais. Espíritos glaciais, épocas que o planeta esquenta mais…


Você tem aí uma variação de temperatura ao longo do processo da Terra, ao longo dos anos, dos milênios, assim por diante. As ações humanas intensificaram muito a questão do clima, regional e global do planeta. E isso fez com que acelerasse o processo de aquecimento do planeta em um curto espaço de tempo, que tem muita relação, inclusive, com a industrialização, a revolução industrial, no final dos séculos XVIII, se não me engano.


Então, a gente teve um aumento da utilização dos combustíveis fósseis, emissão do dióxido de carbono e outros gases que influenciam nessa questão do aquecimento global. Por esse motivo, a gente vai sofrendo, e não é só a gente, todos os organismos da Terra sofrem um impacto referente à mudança climática, pois todos os organismos evoluíram nos locais onde existe uma temperatura própria.


Por isso, se a gente muda a temperatura, os organismos não têm um tempo evolutivo para se adaptar àquela mudança. E o ser humano está impulsionando, uma modificação da temperatura global e local. Isso danifica muito o processo de manutenção da vida no planeta.


Você acredita que a educação ambiental que temos no litoral é eficiente para a diminuição de ações que causem danos ao meio ambiente?


A educação ambiental é de fundamental importância, porque é ela que vai fazer com que nós seres humanos, de alguma maneira, possamos refletir e ter uma conscientização do nosso alto potencial de interferência no planeta. Então, conseguindo educar as pessoas e as conscientizando do papel que cada um tem, porque cada um de nós acaba transformando o ambiente. 


E aí a gente tem essa questão ligada principalmente ao litoral paulista, onde nós temos as grandes massas, as grandes florestas da Mata Atlântica, o que sobrou dela. E a gente tem os ambientes ligados às florestas e ao mar. Como é o caso dos mangues, por exemplo, que é um ambiente também que sofre muito com a questão das mudanças climáticas. Então acredito muito no nosso papel como educador, da conscientização das pessoas para que elas reflitam sobre o papel de cada um na manutenção da vida, na terra.


Qual o maior desafio para proteção da biodiversidade hoje em dia?


O maior desafio para a proteção da biodiversidade, hoje em dia, é a conscientização do ser humano de que ele é um ser que faz parte das demais espécies que existem no mundo.


Para proteger a biodiversidade, a gente precisa ter consciência de que o ser humano faz parte da biodiversidade e que nós estamos todos envolvidos de maneira intrínseca, e que a sobrevivência da espécie humana depende da sobrevivência dos outros organismos.


Isso é uma coisa que a gente tem que ter uma boa noção para a gente poder auxiliar na proteção da biodiversidade geral de todo o planeta. Consciência de que nós também fazemos parte dessa biodiversidade.


Você acha que a cobertura jornalística, tanto local, quanto a nacional, aborda assuntos sobre o meio ambiente da maneira certa?


Eu acredito que a parte jornalística, em geral, deixa muito a desejar. Isso porque o assunto não é abordado sistematicamente, ele é abordado em alguns pontos apenas, em alguns momentos, quando ocorre alguma desgraça, quando ocorre algum problema muito sério, aí você tem uma ação jornalística.


Mas em geral, você tem poucas informações e poucas pautas relacionadas às questões ambientais. Então eu acho que deveria ter uma preocupação maior das instituições ligadas ao jornalismo, de promover essas discussões e levar à comunidade reflexões sobre essas questões. E que a população tenha contato, não só em momentos específicos, mas isso sendo feito de maneira constante.


Por último, como biólogo que ações você considera necessárias para aumentar a preservação do meio ambiente, e como a mídia pode contribuir com isso?


Como biólogo, acho que as ações que são necessárias para a preservação, são ações relacionadas a diminuição de produção de material proveniente de recursos da natureza. Temos que diminuir a quantidade que a gente consome.


Ter uma reflexão sobre se há mesmo a necessidade de a gente consumir tanto. Também sobre o consumo, nós precisamos destinar melhor os produtos, sejam eles recicláveis ou orgânicos. 


Sobre a questão da conservação das espécies, o poder público incentivar mais as pesquisas, por exemplo, a gente tem poucas pesquisas, principalmente no Brasil relacionadas ao conhecimento das espécies. Esse conhecimento das espécies, seus comportamentos e suas distribuições, faz com que consigamos entender melhor a natureza, sua dinâmica, e ajudar na conservação.


E, por fim, a questão do cuidado de todos os ecossistemas, inclusive da parte hídrica, dos oceanos, em geral; mudança do comportamento humano, e a gente ter essa parte educativa forte para fazer com que as pessoas conheçam, e tenham consciência e responsabilidade dos seus atos, tanto para uma criança quanto para um adulto.



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