Projetos socioambientais de Milena Ramires auxiliam comunidades a se adaptarem às mudanças ambientais
- Equipe Agregae

- 6 de mai. de 2025
- 4 min de leitura
Por Heloisa Helena
Milena Ramires, professora de graduação do curso de Ciências Biológicas da Universidade Santa Cecília (UNISANTA) esteve envolvida em projetos socioambientais ao longo de sua carreira. Um desses exemplos é o projeto Moda Uçá, feito em colaboração com o Ateliê da Maré, que consistiu em transformar diversas peças usadas em novas.
Usando o conceito de upcycling, o projeto contribuía para a preservação do meio ambiente e também para questões socioeconômicas da comunidade, gerando renda local. Ajudando dessa forma, pessoas que estavam em situação de vulnerabilidade social.

Além desse projeto, Milena participou Projeto de pesca sustentável, o Etnopesca. Ele tem como objetivo capacitar pescadores artesanais para atuarem como guias e condutores de pesca. A atividade procura contribuir para a conservação dos peixes, transformando os trabalhadores em agentes divulgadores de práticas mais conscientes, além de também coletar dados de pescadores esportivos de todo o País e do exterior, em prol de uma prática pesqueira mais consciente.
Milena tem desenvolvidos projetos, participado de debates, repassado seus conhecimentos para as pessoas e as ajudado em diversas questões. Foi no Laboratório de Ecologia Humana, lugar onde ocorrem diversas pesquisas e projetos de extensão com os alunos, que Milena concedeu essa entrevista.

De que forma as suas pesquisas estão relacionadas com as mudanças climáticas?
Bom, eu trabalho com populações humanas que vivem diretamente relacionadas com os recursos naturais e com a natureza. E justamente a natureza e os recursos naturais que têm sentido mais os impactos das mudanças climáticas.
Além das suas pesquisas, você desenvolve alguma outra atividade acadêmica que está relacionada com as mudanças climáticas?
Sim, temos estagiários e alunos de graduação desenvolvendo projetos de extensão curricular. Esses projetos são muito importantes. A gente leva conhecimento científico para a sociedade de maneira geral, e as mudanças climáticas fazem parte de um tema muito importante que tem sido desenvolvido nas atividades extensionistas.
O projeto Moda Uçá utiliza o conceito de upcycling para transformar materiais descartados em roupas sustentáveis. Como essa iniciativa contribui para a redução de resíduos e para a conscientização sobre práticas sustentáveis em comunidades vulneráveis?
A Moda Uçá é uma marca de roupas que foi criada dentro de um projeto maior, que envolvia jovens, crianças, adolescentes e adultos em oficinas de costura criativa. A gente sabe que os resíduos têxteis de roupas que são descartadas, ainda são um grande problema, ainda não tem destinação regulamentada, organizada e ordenada para isso. Então, geralmente esses resíduos acabam indo para o ambiente, principalmente em comunidades como a Vila dos Pescadores, onde esse projeto foi desenvolvido, em que boa parte da população mora em palafitas, sobre os mangues.
Então, esses resíduos acabam caindo no ambiente e poluindo. Por enquanto, as iniciativas são muito incipientes, então o objetivo principal desse projeto, era gerar renda para as mulheres dessa comunidade, mas consequentemente, acaba gerando uma consciência da importância de reaproveitar materiais, para livrar o ambiente, reduzindo esse impacto no ambiente.
O Projeto Etnopesca busca integrar conhecimentos tradicionais de pescadores artesanais com ações de conservação ambiental. De que maneira essa abordagem colaborativa pode auxiliar na adaptação das comunidades pesqueiras às mudanças climáticas e na preservação dos ecossistemas marinhos?
O projeto Etnopesca, propõe uma troca de conhecimentos. A gente aproveita o conhecimento rico e importante que as comunidades pesqueiras têm sobre o ambiente. Nas propostas de conservação, a gente também leva conhecimento científico para essas comunidades.
Então, à medida que elas vão se empoderando das informações adequadas sobre conservação, elas acabam criando mecanismos próprios de adaptação para as mudanças ambientais que vão percebendo ao longo do tempo no território onde residem.
Isso então, facilita os passos da conservação. Tanto nesse fomento de conhecimento que eles passam para nós cientistas, como também a maneira com que eles aproveitam o conhecimento que eles recebem, para se adaptar às mudanças climáticas.
Seus estudos em ecologia humana frequentemente abordam a relação entre comunidades tradicionais e o meio ambiente. Como as mudanças climáticas têm impactado essas relações e quais estratégias podem ser adotadas para mitigar efeitos negativos nessas comunidades?
As nossas pesquisas de ecologia humana de maneira geral, diagnosticam as interações que as populações pesqueiras têm com o ambiente e o conhecimento decorrente dessas interações.
E o que a gente tem percebido com o passar do tempo, é que as mudanças que vêm acontecendo, estão sendo incorporadas no conhecimento ecológico local. E aí o próprio conhecimento das populações pesqueiras, já tem auxiliado elas a se adaptarem a essas mudanças, especialmente as mudanças climáticas. E aí junto com eles, a gente consegue colocar estratégias para mitigar essas mudanças, como por exemplo, alteração no modo com que eles exploram os recursos pesqueiros.
Fazer conhecer sobre a legislação pesqueira, por exemplo, que é um cuidado conservacionista com os recursos pesqueiros, para que não findem. Para que eles continuem desenvolvendo a atividade deles, mesmo nesse cenário de mudanças climáticas.
Como o conhecimento tradicional das comunidades pesqueiras pode ser integrado às políticas públicas para enfrentar os desafios ambientais atuais, incluindo as mudanças climáticas?
As políticas públicas relacionadas às questões ambientais, em especial as mudanças climáticas, devem levar em consideração o fato de que populações humanas, não só as pesqueiras, mas várias outras, vivem em contato direto com o ambiente, têm dependência econômica de alguns recursos naturais. Então, essas políticas devem garantir tanto a proteção do ambiente, dos recursos naturais e mitigação aos impactos que se refletem em mudanças climáticas, mas possibilitando que essas populações permaneçam desenvolvendo suas atividades.
Uma maneira de garantir que essas populações estejam integradas nessas políticas, é que nesse momento de elaboração, o conhecimento dessas populações seja levado em consideração. Então, o conhecimento tradicional pode ajudar na construção de novas políticas, que sejam boas tanto para os aspectos sociais, socioeconômicos envolvidos, quanto para a conservação ambiental.
A efetividade das políticas públicas ambientais, só vai ser alcançada se as populações diretamente relacionadas com ela respeitarem e se não impedir que as atividades tradicionais aconteçam. Para isso acontecer, essas populações tem que se identificar, tem que fazer sentido para elas. E uma maneira de garantir esse empoderamento, de garantir esse respeito às políticas públicas, é que o conhecimento dessas populações esteja inserido na construção e na elaboração dessas políticas.
















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