Redes sociais e a proliferação da desinformação
- Primeira Impressão

- 18 de nov. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de nov. de 2022
Influente nas eleições de 2018, saiba como se defender da proliferação de Fake News para 2022
Não é novidade que o ambiente digital vem se estabelecendo cada vez mais na vida das pessoas e, também, transformando a maneira como se recebe informação. O Brasil, que conta com aproximadamente 165,3 milhões de usuários na internet (Digital 2022), tem, com a rede, uma ferramenta política alternativa.
Em ano de eleição, a procura por candidatos e por seus respectivos históricos passam a movimentar o tráfego na internet. A multimilionária Google lançou em agosto, inclusive, uma página na rede dedicada às tendências nas buscas sobre as eleições de 2022 no Brasil, comparando o engajamento dos candidatos mais buscados.

Mas por que tal influência passou a ser tão importante?
Antes da revolução digital, com o surgimento da internet, computadores e smartphones, o acesso a informação se dava pelos veículos tradicionais de imprensa, como o jornal, rádio e televisão. Embora com mais credibilidade, as notícias destes meios não têm algumas características da era digital que os fizeram ser menos utilizados, como a convergência midiática, multimidialidade e até mesmo a formação de “bolhas” digitais. Tem-se como exemplo disso, a eleição de Donald Trump, do Partido Republicano, em 2016, nos Estados Unidos. A campanha dele foi marcada pelo uso massivo das redes sociais, em que acreditava-se ter mais influência do que os jornais à época.
As pesquisas apontavam o Facebook como a rede social mais utilizada como fonte principal de notícias, sendo preferido por dois terços da população. Já no Brasil, a primeira rodada da pesquisa BTG/FSB (do Instituto FSB Pesquisas) de 2022 indicou que 42% dos entrevistados utilizam o Youtube para se informar sobre as eleições presidenciais dentre as outras redes, embora o Facebook apareça em segundo lugar, com 39%.
No Youtube, por exemplo, houve a participação do presidente e candidato Jair Bolsonaro (PL) no canal Flow Podcast, programa que foi transmitido ao vivo e atingiu um pico de quase 600 mil espectadores simultâneos na transmissão que durou mais de cinco horas. Também no Flow Podcast, porém em 2021, o programa contou com a participação do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, atingindo quase 300 mil pessoas assistindo a transmissão ao mesmo tempo.
Desta forma, as mídias sociais surgem como uma alternativa mais rápida, de maior alcance e mais barata para se veicular campanhas políticas. Ainda assim, o jornalista especialista em mídias digitais, Ricardo Mucci, acredita que as redes não tem poder para decidir uma eleição no Brasil, com exceção da eleição do atual presidente em 2018.
“As redes sociais tem o papel de fazer o político se aproximar do eleitor, de humanizar o candidato e, principalmente, atingir o público jovem que hoje é o mais influente no meio”, comentou.
Para Mucci, a televisão ainda tem um papel importante na tomada de decisão do eleitor, já que cumpre melhor a função de apresentar os projetos e planos de governo dos candidatos, quando comparada as redes. Fatores da mídia Algumas características deste meio ajudam a potencializar os votos em uma eleição e, se bem trabalhadas, podem gerar bons resultados.
As bolhas digitais, que são complexos de usuários com os mesmos interesses, vão crescendo, fazendo com que haja além de tudo uma filtragem naquilo que chega aos internautas. Ou seja, os apoiadores do candidato X passarão a receber mais notícias positivas dele e menos “notícias boas” do candidato Y, fortalecendo a opinião sobre o candidato favorito do usuário.
"Enquanto na TV e no rádio há um tempo pré-determinado para veicular suas ideias, nas redes sociais essa ‘conversa’ não tem fim.”, diz Victor Borges, coordenador da campanha de Márcio França (PSB) ao senado.
Apesar de se poder utilizar tons mais descontraídos em discursos veiculados nessas plataformas, é um ambiente que pode também levar a críticas em eventuais deslizes dos candidatos. Aproveitando esses fatores, é possível então definir, a partir de uma estratégia de marketing digital, qual público atingir de acordo com as características do político, adequando-se à linguagem e plataforma que preferir. A pandemia foi algo que alavancou ainda mais o uso das redes sociais no mundo político. Com o distanciamento exigido pelas autoridades da saúde, o ambiente digital surgiu como uma alternativa eficaz para atingir a população em suas casas.
Segundo a pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios brasileiros (TIC Domicílios) 2021, o percentual de residências no Brasil aptas a acessar a internet é de 82%, taxa que subiu em 11% num período de dois anos. Ainda de acordo com a pesquisa, o número de usuário também subiu, de 74% para 81% dos entrevistados.
Apesar do mundo digital estar cada vez infundido à realidade dos brasileiros, em certos locais do País a população acaba tendo a televisão ou o rádio como única via para se informar, como indica Borges. “Principalmente em locais de baixa renda, onde o acesso à internet é mais restrito, a TV e o rádio permitem que famílias e até vizinhos se reúnam para ter acesso às campanhas veiculadas nesses meios. A campanha digital se torna menos acessível nesses casos”, indica o jornalista.
A era digital facilitou a comunicação e acesso às fontes com diversas plataformas, assim também, ajudou na comunicação entre os políticos e a imprensa, apoiadores e opositores, pois por meio das redes sociais os políticos conseguem direcionar diretamente seus discursos e suas ideias para seus “alvos”.
As redes sociais têm um papel fundamental nas campanhas eleitorais e elas ainda têm a crescer muito na política. De acordo com uma pesquisa feita pelo DataSenado e divulgada em 2019, mais de 40% da população teve seu voto influenciado pelas redes sociais nas eleições de 2018. A pesquisa também indica que 80% dos participantes do levantamento afirmaram ver grande influência das redes na opinião política das pessoas. Assim, as redes sociais passaram a ser formadoras de opinião para pessoas indecisas, porém é muito importante analisar todos os pontos de vista da notícia para que não seja omitida qualquer informação relevante e para ter noção de todas as consequências que podem acontecer a partir daí.
Um outro estudo, que reuniu dados da Hootsuite e WeAreSocial, indica que o Brasil ocupa o 3º lugar dos países que mais usam as redes sociais, com média de 3 horas e 42 minutos por dia utilizando estes meios. É impossível negar que, com tanto tempo que as pessoas direcionam às redes sociais, acaba ocorrendo um processo de absorção por parte delas, pois a partir do momento em que se está rodeado de notícias e informações, isto demanda um olhar mais apurado para a análise da veracidade da notícia.
Ao mesmo tempo em que as mídias digitais são ferramentas muito uteis utilizadas por veículos de comunicação também podem ser uma ferramenta perigosa caso não controlada e administrada de forma corretamente. É preciso checar e apurar todas as informações provenientes das redes sociais, pois nem todas são verídicas. Os jornais e sites devem tomar cuidado, pois em período de eleição, é muito comum que apareçam várias notícias falsas para tentar manipular a população.
Então, jornais e sites que fazem a cobertura do período eleitoral devem apurar e confirmar as notícias antes de lançá-las para o público, pois qualquer meio de comunicação que divulgar uma informação inverídica (fake news) deve ser processado por disseminar notícias falsas. Além disso, perde a credibilidade e a confiança dos leitores. Muitos candidatos ainda “patinam”, ou melhor, não dominam da melhor maneira possível as interações nas redes sociais. Então, é importante para esses candidatos que façam um investimento em uma assessoria de imprensa para conseguir lidar com o conteúdo a seu respeito e para passar uma boa imagem aos seus seguidores.
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ESCRITOR: CÉSAR H CORRÊA
EDITOR DIGITAL: VINÍCIUS FIGO





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