20 mil famílias passam fome em Santos: O que fazer para combater
- Maria Clara Pasqualeto
- 11 de jun. de 2024
- 5 min de leitura
No Brasil, esse número ultrapassa 20 milhões. O Objetivo número 2 da ODS 2030 tem como finalidade erradicar a fome e a insegurança alimentar.
por Maria Clara Pasqualeto, Giovanni Ribas Affonso e Guilherme de Freitas Cunha

Segundo a ONU, Organizações das Nações Unidas, o conceito da palavra "fome" é caracterizado por uma sensação desconfortável, ou até mesmo dolorosa, originada pelo consumo insuficiente de calorias. Ou seja, refere-se à escassez de alimentos consumidos.
As causas resultantes são diversas: desde questões econômicas, como o desemprego, até conflitos governamentais, militares e catástrofes climáticas. 795 milhões de pessoas no mundo se encontravam na situação de desnutrição crônica, conforme o site Justiça do Trabalho.
Em Santos, 20 mil pessoas estão em segundo dados do IBGE, aproximadamente
O programa Bom Prato da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, disponibilizou uma unidade móvel, em novembro de 2023, para abranger seu acesso à comunidade santista. Criado em 28 de dezembro de 2000, a instituição tem como finalidade oferecer refeições saudáveis a partir de R$1,00, promovendo um serviço em prol da sociedade, além de resultar em uma diminuição nos números da fome.

Atualmente, conta com 117 unidades em funcionamento, 73 fixas e 44 móveis, levando refeições até em áreas de maior vulnerabilidade da região. Veículo construído ao transporte de 300 a 400 alimentos - que contém proteínas e carboidratos -, a proposta, também, está relacionada com o item 2 da ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Outros projetos sociais contribuem com essa meta: Associação do Recanto da Sopa Fraterna João XXIII. Fundada em 1984, o grupo comunitário distribui sopas a cidadãos que se encontram em dificuldades, bem como em situação de rua, no bairro do Saboó, em Santos.
De acordo com o site oficial da ONU, são cinco atitudes simples e acessíveis para contribuir à erradicação da fome, no Brasil:
1. Não desperdice comida
Se você tiver sobras, congele elas para mais tarde ou use elas como ingrediente para fazer uma nova refeição. Quando comer num restaurante, peça uma meia porção se não estiver com muita fome, ou peça para levar o que sobrou para casa.
Agricultores precisam encontrar novas formas e maneiras mais eficientes de produzir alimentos.
2. Produza mais, com menos
Até 2050, a estimativa é que o número de habitantes no planeta chegue a 9 bilhões de pessoas. Por isso, agricultores precisam encontrar novas formas e maneiras mais eficientes de produzir alimentos, além de diversificar as plantações. Uma abordagem integrada de agricultura pode ajudar os produtores a aumentar as colheitas, e assim, os lucros. Além disso, também pode contribuir para melhorar a qualidade da terra.
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3. Adote uma dieta mais saudável e sustentável
Encontrar tempo para preparar refeições nutritivas pode ser um desafio numa vida com o ritmo rápido, principalmente quando não se sabe como fazer isso. Refeições nutritivas não precisam ser elaboradas. Na verdade, elas podem ser feitas de uma maneira rápida, fácil, e utilizando poucos ingredientes. Compartilhe suas receitas nutritivas com sua família, amigos, colegas e online. Siga chefs de cozinha e bloggers online para aprender novas receitas ou converse com o seu fornecedor local para aprender como eles preparam o que produzem em casa.
4. Defenda a "#FomeZero"
ONU defende que um terço da produção alimentar global é desperdiçada.
Todos têm um papel na construção de um mundo com "#FomeZero", mas países, instituições e pessoas precisam trabalhar em conjunto para alcançar este objetivo. A FAO estimula a estabelecer parcerias "#FomeZero", compartilhar conhecimento e recursos, desenvolver estratégias e descobrir novas oportunidades para contribuir no combate à fome.
Outra sugestão é discutir o assunto com autoridades locais e nacionais, promover programas educacionais relacionados à questão e espalhar a mensagem do "#FomeZero" através da sua rede de conhecidos.
Fábio Tatsubô, Chefe do Departamento de Políticas Públicas dos ODS da Prefeitura de Santos, explica as ações necessárias para alcançar essa meta:

"As ações que precisam ser feitas vão passar pela educação, para que a capacitação e qualificação tragam dignidade. É pelo trabalho que mudamos as vidas das pessoas".
Contudo, todas essas propostas e planejamentos dependem da atitude governamental. Projetos sociais são de extrema importância para remediar a fome, mas não resolve essa situação. O Estado, como órgão social e político, precisa implementar medidas para trazer dignidade a todos os cidadãos.
O objetivo 2 da ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi estabelecido como possível solução para erradicar a fome, além de alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição, promovendo a agricultura sustentável. É exercido de maneira que todo cidadão tenha acesso a alimentos nutritivos e saudáveis.
Quais são as metas da ODS 2?

2.1 Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano.
2.2 Até 2030, acabar com todas as formas de desnutrição, inclusive pelo alcance até 2025 das metas acordadas internacionalmente sobre desnutrição crônica e desnutrição em crianças menores de cinco anos de idade, e atender às necessidades nutricionais de meninas adolescentes, mulheres grávidas e lactantes e pessoas idosas.
2.3 Até 2030, dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos, particularmente das mulheres, povos indígenas, agricultores familiares, pastores e pescadores, inclusive por meio de acesso seguro e igual à terra, outros recursos produtivos e insumos, conhecimento, serviços financeiros, mercados e oportunidades de agregação de valor e de emprego não-agrícola.
2.4 Até 2030, garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas robustas, que aumentem a produtividade e a produção, que ajudem a manter os ecossistemas, que fortaleçam a capacidade de adaptação às mudança do clima, às condições meteorológicas extremas, secas, inundações e outros desastres, e que melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo.
2.5 Até 2020, manter a diversidade genética de sementes, plantas cultivadas, animais de criação e domesticados e suas respectivas espécies selvagens, inclusive por meio de bancos de sementes e plantas diversificados e adequadamente geridos em nível nacional, regional e internacional, e garantir o acesso e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados, conforme acordado internacionalmente.
2.a Aumentar o investimento, inclusive por meio do reforço da cooperação internacional, em infraestrutura rural, pesquisa e extensão de serviços agrícolas, desenvolvimento de tecnologia, e os bancos de genes de plantas e animais, de maneira a aumentar a capacidade de produção agrícola nos países em desenvolvimento, em particular nos países de menor desenvolvimento relativo.
2.b Corrigir e prevenir as restrições ao comércio e distorções nos mercados agrícolas mundiais, inclusive por meio da eliminação paralela de todas as formas de subsídios à exportação e todas as medidas de exportação com efeito equivalente, de acordo com o mandato da Rodada de Desenvolvimento de Doha.
2.c Adotar medidas para garantir o funcionamento adequado dos mercados de commodities de alimentos e seus derivados, e facilitar o acesso oportuno à informação de mercado, inclusive sobre as reservas de alimentos, a fim de ajudar a limitar a volatilidade extrema dos preços dos alimentos.
Conheça mais sobre os ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentáveis

Em 2015, a ONU, Organização das Nações Unidas, publicou um desafio a seus 193 estados-membros, incluindo o Brasil. Esse desafio contém a chamada ODS, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Isto é, são 17 objetivos a serem alcançados e 169 metas de ação global, comprometidas pelos países, com relação não apenas à sustentabilidade, assim como a garantia dos Direitos Humanos, promoção da Igualdade de Gênero, entre outros propósitos.
A ideia é de realizar todos os objetivos até 2030, o tempo limite para implementar as medidas necessárias. As nações participantes podem, do mesmo modo, definir suas próprias finalidades, considerando os âmbitos políticos, econômicos e sociais da população em específico.




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