Santos e Meio-Ambiente: entenda como o Município tem lidado com as mudanças climáticas
- Equipe Agregae

- 22 de abr. de 2025
- 5 min de leitura
Por Matheus Ferreira
Seja pela história, café, praias ou até mesmo pelo porto, é inegável que Santos é uma das cidades com mais destaque no litoral paulista. Não é por menos. O município é a cidade mais populosa da região da Baixada Santista. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que a população chegue a aproximadamente 420 mil habitantes.
O município conta com diversos tipos de solo, vegetação, fauna e flora. E assim como o todo o Planeta, está sentindo os impactos das mudanças climáticas no seu dia a dia. Períodos de seca, temperaturas extremamente altas, fortes chuvas, além do aumento do nível do mar, são situações cada vez mais frequentes para a cidade.
''O Município possui seu Plano Municipal de Ação Climática de Santos (PACS), de 2022, que é o instrumento central da política municipal para o enfrentamento da crise climática''

Em entrevista, a Prefeitura de Santos em conjunto com a Secretaria do Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEMAM), evidencia estar atenta aos impactos sofridos pela cidade e pela população. Investindo e desenvolvendo projetos de controle de danos e conscientização. Principalmente, o Plano Municipal de Ação Climática de Santos (PACS), elaborado em 2022.
As mudanças climáticas estão tomando proporções cada vez mais difíceis de mensurar. Altas temperaturas ou altos volumes de chuva estão deixando de ser acasos e se tornando constantes. Como essas mudanças podem afetar a cidade de Santos no futuro?
Vale destacar que o Município possui seu Plano Municipal de Ação Climática de Santos (PACS), de 2022, que é o instrumento central da política municipal para o enfrentamento da crise climática, orientando a tomada de decisão quanto às iniciativas de diferentes setores. Santos é considerado um dos municípios brasileiros com alta vulnerabilidade às mudanças climáticas, sobretudo em decorrência dos riscos relacionados à elevação do Nível Relativo do Mar, ocorrência de eventos extremos de chuvas, ressacas, deslizamentos de terra, picos de calor e, sobretudo, às consequências socioambientais decorrentes desses eventos. O PACS estabelece como visão de futuro “Santos como Cidade Inclusiva, Sustentável, Resiliente e Adaptada aos Riscos Climáticos e Carbono Neutra em 2050”.
Recentemente, passamos for por fortes temporais. E com eles, os morros ficam em alerta com o risco de deslizamento. O que a prefeitura tem feito para contornar essa situação? Como os moradores desses morros tem sido amparados no antes e depois da chuva?
O Município possui o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), que vai de 1º de dezembro a 30 de abril, período de maior incidência de chuvas. O plano visa instruir moradores de áreas de risco sobre os deslizamentos e avaliar as condições dos morros durante chuvas intensas, com a meta de vistoriar 3.849 moradias. A equipe foi ampliada, e panfletagens educativas são realizadas nas áreas mais vulneráveis. O PPDC 2024-25 conta com o apoio de 130 servidores de 10 secretarias, além de 40 funcionários fixos da Defesa Civil, já treinados. A atualização do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) inclui mapeamento de novas áreas de risco. Durante o plano, a equipe acompanha pluviometria, previsões e realiza vistorias para prevenir desastres. Apesar das chuvas fortes em janeiro de 2024, que superaram em 75% a média histórica, o PPDC 2023-2024 foi concluído sem vítimas fatais. Entre 1º de dezembro de 2023 e 30 de abril de 2024, ocorreram 470 incidentes, incluindo deslizamentos e quedas de árvores, e 30 famílias precisaram ser transferidas de áreas de risco.
Sobre a iniciativa de monitoramento de áreas de risco através de drones, o projeto deu certo? A implantação trouxe os resultados desejados?
O trabalho do PPDC em Santos começou em 1989 e foi reforçado nos últimos anos. Em 2017, o Município criou o cargo de agente de Defesa Civil e contratou 17 novos profissionais por concurso público. O órgão se destaca por ser o único com meteorologista a nível estadual. Houve um aumento significativo no número de pluviômetros automáticos na cidade, de 10 em 2012 para 17 em 2018, principalmente em áreas de encostas. A cidade firmou parcerias com o Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília para boletins sobre ressacas e com o Cemaden para ações educativas nas escolas. Além disso, em parceria com o IPT, a Defesa Civil realiza um mapeamento das árvores da cidade para entender as causas das quedas e direcionar ações preventivas. Essas medidas, como o manejo arbóreo, reduziram em 50% as ocorrências de queda de árvores durante ventos fortes entre 2023 e 2024.
É sabido que em dias de ressaca, o mar pode avançar até a avenida sem dificuldade. Além das “Geobags” na Ponta da Praia, quais outras medidas a cidade está tomando para controlar o avanço do nível do mar? E quanto ao restante da orla santista, existe possibilidade de problemas envolvendo o nível do mar?
Visando aprimorar as políticas e planos municipais, destacam-se a inclusão das orientações do PACS e do Índice de Risco Climático e Vulnerabilidade Socioambiental (IRCVS) em várias legislações; o reforço do monitoramento meteorológico e da aplicação das orientações dos Mapas de Suscetibilidades; e o alinhamento de parâmetros urbanísticos previstos na Lei de Uso e ocupação do solo com as áreas mais vulneráveis. A solução proposta para a Ponta da Praia foi uma iniciativa de baixo impacto e fácil remoção, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a dinâmica local e reduzir os danos causados pela invasão do mar na infraestrutura urbana. O monitoramento da obra visa ampliar o conhecimento sobre os impactos nas áreas adjacentes e indicar intervenções definitivas para as regiões mais afetadas. Os dados mostram que os impactos do aumento do nível do mar devem ser considerados não apenas para a orla, mas também para o interior do Estuário e canais fluviais. Além dos impactos diretos nas áreas ocupadas por atividades humanas, é necessário considerar a intrusão salina nos rios e suas possíveis consequências para a biodiversidade e o uso da água desses canais em atividades humanas.
Em janeiro, houve a quinta conferência municipal de meio ambiente na cidade de Santos, com o tema emergência climática. Poderia falar como foi o evento e quais foram os principais tópicos abordados?
Participaram da 5ª CMMA cerca de 130 pessoas e foram eleitas 10 pessoas delegadas, além de suplentes e delegadas natas, para representar o Município na etapa estadual, que ocorreu em 12 de março de 2025, na cidade de São Paulo. Na ocasião foram definidas, ainda, as propostas prioritárias para os cinco eixos da Conferência Municipal: Mitigação, Adaptação e Preparação para Desastres, Justiça Climática, Transformação Ecológica, Governança e Educação Ambiental.
Ainda sobre a conferência, o evento trouxe alguma nova ideia de abordagem e ou projeto para a cidade sobre medidas que possam ajudar no controle de danos?
A conferência contou com o apoio da própria população, que fizeram sugestões, referentes aos cinco eixos da Conferência Municipal. Por exemplo, “plantio sistemático e racional de árvores próprias do bioma da Baixada Santista feito com critérios técnicos, mas com participação social efetiva” ou “letramento climático deve ser incluído nos currículos nas redes das escolas municipais”. Para além do debate entre as autoridades reunidas, foi de suma importância ouvir as ideias e opiniões dos cidadãos presentes.
"Monitoramento da obra visa ampliar o conhecimento sobre os impactos nas áreas adjacentes e indicar intervenções definitivas para as regiões mais afetadas".
Matéria e/ou entrevista baseada em documento oficial enviado pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Municipal de Santos via e-mail, em decorrência de resposta às perguntas referidas.












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